Ó rapaz, é
Zeus tonitruante que detém o desfecho
de
tudo quanto existe e tudo dispõe como quer.
Não
há inteligência nos homens, mas vivemos
efémeros
como gado, sem sabermos
como
o deus terminará cada coisa.
Porém
a esperança e a credulidade
alimentam-nos
a vontade do impossível.
Uns
esperam que venha o dia, outros as estações.
Não
há ninguém que não julgue chegar ao ano
seguinte,
amigo da riqueza e da prosperidade.
Mas
a velhice, nada invejável, apanha um homem
antes
de chegar à sua meta; a outros mortais
destroem
as doenças miseráveis; e Hades envia
outros
para debaixo da negra terra, mortos por Ares.
Outros
agitados na tempestade marítima
e
nas ondas numerosas do mar purpúreo
morrem,
quando não conseguem sustento em terra.
Outros
ainda atam uma corda ao pescoço em desgraçado
destino
e deixam por sua vontade a luz do sol.
Assim,
nada existe sem misérias, mas incontáveis
desgraças
e sofrimentos inesperados existem
para
os mortais. Mas se eu tivesse o poder de persuadir,
não
estaríamos apaixonados pelas desgraças,
nem daríamos cabo do coração com dores amargas.
Semónides