quinta-feira, 28 de novembro de 2013

...


Sorrent_1 por wolf4mann


Bendito sejas,
Meu verdadeiro conforto
E meu verdadeiro amigo!

Quando a sombra, quando a noite
Dos altos céus vem descendo,
A minha dor,
Estremecendo, acorda...

A minha dor é um leão
Que lentamente mordendo
Me devora o coração.

Canto e choro amargamente;
Mas a dor, indiferente,

Continua…
Então,
Febril, quase louco,
Corro a ti, vinho louvado!
- E a minha dor adormece,E o leão é sossegado.

Quanto mais bebo mais dorme:
Vinho adorado,
O teu poder é enorme!

E eu vos digo, almas em chaga,
Ó almas tristes sangrando:
Andarei sempre
Em constante bebedeira!
Grande vida!

- Ter o vinho por amante
E a morte por companheira!

António Botto in Canções

domingo, 10 de março de 2013






“a maioria dos homens gasta a primeira metade da vida a tornar a segunda metade miserável.”

La Bruyère,  

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Homens




Deve o cidadão desistir da sua consciência, ainda que por um instante ou em último caso, e dobrar-se ao legislador? Por que razão estará então cada homem dotado de uma consciência? Na minha opinião devemos ser em primeiro lugar homens, e só depois súbditos.

Henry Thoreau


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Losing my religion


Humanidade




«Quando um chinês ou um africano choram, essa lágrima é sempre a mesma, não é antropológica ou sociológica, não tem lá dentro um certo tipo de cultura, religião ou costume, não tem nada, excepto a humanidade que todos partilhamos.»

Antonio Tabucchi

O carácter racional da fé na criação







                            1. O carácter racional da fé na criação

   Esta compreensão tem de ser aprofundada ao longo de duas linhas de pensamento. A primeira coisa que temos de considerar é o "isso" da criação. Esse "isso" exige uma razão; ela aponta para o poder que estava lá no início e que pôde dizer: "Faça-se...". No século XIX isto era visto de outra maneira. As ciências naturais estavam profundamente influenciadas por duas grandes teorias: a da conservação da matéria e a da conservação da energia. Por conseguinte, o universo parecia ser um cosmos eterno, governado pelas imutáveis leis da natureza, dependente apenas de si mesmo e não necessitando de nada que lhe fosse exterior. Estava ali como um todo e por isso Laplace pôde dizer: "Já não preciso da hipótese de Deus". Entretanto, foram feitas novas descobertas. A teoria da entropia postula que a energia que é utilizada numa determinada área já não poderá ser recuperada. Isto significa que o universo está sujeito tanto à mudança como à destruição. O carácter temporal está inscrito nele. Depois disto, veio a descoberta de que a matéria se pode converter em energia, o que alterou substancialmente as duas teorias da conservação. Seguiu-se a teoria da relatividade, entre diversas outras que mostraram que o universo está de facto marcado pela temporalidade, uma temporalidade que nos fala de um início e de um termo, e da passagem de um princípio para um fim. Mesmo que fosse realmente impossível medir o tempo, poder-se-ia ainda assim compreender, através da obscuridade de biliões de anos, pela consciência da temporalidade, o que a Bíblia designa por princípio - o princípio que aponta para Aquele que teve o poder de dar origem ao ser e de dizer "Faça-se...", e assim aconteceu.
   Uma segunda consideração vai além do mero "isso" do ser. Ela tem a ver com o desígnio do universo, o modelo que foi usado na sua criação. Daquele "faça-se" não resultou a criação de uma qualquer amálgama casual. Quanto mais sabemos acerca do universo, mais profundamente nos sentimos impressionados por uma Razão cujos métodos só podemos contemplar com assombro. Ao aprofundá-los, podemos entender de uma maneira nova a Inteligência criadora à qual devemos a nossa própria razão. Albert Einstein afirmou que nas leis da natureza se revela uma Razão superior" tal que tudo o que de significativo emergiu da razão e da concepção humanas é, em comparação com ela, o mais pobre reflexo". No infinitamente grande, no mundo dos corpos celestes, vemos revelada uma poderosa Razão que sustenta o universo. E estamos a penetrar cada vez mais no infinitamente pequeno, na célula e nas unidades primordiais da vida. Aí também descobrimos a Razão que nos surpreende, de tal modo que devemos dizer com São Boaventura: "Quem não vê aqui é cego. Quem não ouve aqui é surdo. E quem aqui não começa a adorar e a louvar a inteligência criadora é mudo." Jacques Monod, que rejeita toda a fé em Deus por ser não-científica e pensa que o mundo teve a sua origem numa interacção entre o acaso e a necessidade, afirma, na mesma obra em que procura apresentar e justificar sumariamente a sua perspectiva acerca do mundo que, depois de ouvir as suas conferências que foram posteriormente publicadas em livro, François Mauriac terá afirmado: "Aquilo de que este professor nos quer convencer é muito mais inacreditável do que aquilo em que se esperava que nós, simples cristãos, alguma vez acreditássemos". Monod não nega isto. De acordo com a sua tese, todo o conjunto da natureza resultou de erros e dissonâncias. E não pode fazer mais do que dizer a si mesmo que uma tal concepção é absurda. No entanto, segundo ele, o método científico não permite que seja formulada qualquer questão para a qual Deus seja a resposta. A única coisa que podemos dizer é que um tal método é patético. É o próprio Deus que resplandece através da racionalidade da sua criação. A física, a biologia e as ciências naturais em geral deram-nos uma nova e inaudita explicação da criação, com novas imagens grandiosas que nos permitem reconhecer o rosto do Criador, e que nos permitem precisamente reconhecer, mais uma vez, que no princípio e no fundamento de todo o ser há uma Inteligência criadora. O universo não é o produto das trevas e da ausência de razão. Ele emerge da inteligência, da liberdade e da beleza que se identifica com o amor. Compreender isto dá-nos coragem para continuar a viver, confere-nos autonomia e faz-nos sentir confortados para assumirmos, nós próprios, a aventura da vida.


   Ratzinger, Joseph. No Princípio Deus Criou o Céu e a Terra. Cascais: Princípia Editora, 2009, pp 32 - 34.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

" Testamento "





À prostituta mais nova
do bairro mais velho e escuro,
deixo os meus brincos, lavrados
em cristal, límpido e puro...

E àquela virgem esquecida
rapariga sem ternura,
sonhando algures uma lenda,
deixo o meu vestido branco,
o meu vestido de noiva,
todo tecido de renda...

Este meu rosário antigo
ofereço-o àquele amigo
que não acredita em Deus...

E os livros, rosários meus
das contas de outro sofrer,
são para os homens humildes,
que nunca souberam ler.

Quanto aos meus poemas loucos,
esses, que são de dor
sincera e desordenada...
esses, que são de esperança,
desesperada mas firme,
deixo-os a ti, meu amor...

Para que, na paz da hora,
em que a minha alma venha
beijar de longe os teus olhos,

vás por essa noite fora...
com passos feitos de lua,
oferecê-los às crianças
que encontrares em cada rua...


   Lara, Alda. Poesia Africana de Língua Portuguesa

My good friend...


terça-feira, 29 de janeiro de 2013


Diário de rum






Enquanto espero a subida das águas
Vou construindo de cabeça
O poema deste dia

Prédios para deitar abaixo
Escalpes de negócios clandestinos
Cães que hesitam a travessia

Os bárbaros chegaram ao governo
Falam línguas.

João Almeida

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013


What do people live for?




What do people live for?
To miss someone?
To keep living?
To live longer?
Or, to leave?

“Let’s go ride motorcycles!”

5 Taiwanese.
An average age of 81.
1 has a hearing problem.
1 has cancer.
3 have heart disease.
Every one of them has degenerative arthritis.

6 months of preparation.
13 days traveling around the island.
1139 kilometers.
From the north to the south.
From night to day.
For one simple reason.

What do people live for?

Dreams.





quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Manifesto anti-Relvas



Basta! PUM!
Basta de Relvas! PIM!
Um povo que consente deixar-se governar por um Relvas
não é um povo!
É um povinho!
Um povinho ignorante e cego!
Abaixo a ignorância e a cegueira! PAM!
Abaixo o Relvas! PUM!

Um povo com um Relvas no governo é um povo condenado!
Um governo com um Relvas no pacote não é um governo,
é um laboratório de vírus!
Um povo com um governo infestado de vírus não sobrevive!
Desinfeste-se o governo!
Mate-se o vírus! PUM!
Demita-se o Relvas! PIM!

O Relvas não presta!
O Relvas é um manhoso!
O Relvas é um ambicioso sem escrúpulos!
O Relvas é um peso morto!
O Relvas é uma erva daninha!
Pise-se o Relvas!
Cuidado com o que se pisa ao pisar o Relvas!
AGHRRR!

O Relvas julga-se esperto mas é burro!
(que desculpem os inteligentes e simpáticos animais
que têm por nome um homónimo daquele adjectivo…)
O Relvas é tão burro que nem percebe que é burro!
O Relvas é o cavalo de Tróia do governo!
O Relvas não sabe o que significa ser cavalo de Tróia!
O Relvas é um analfabeto diplomado!
O Relvas que vá pastar!
Cale-se o Relvas! PUM!

O Relvas é um habilidoso!
O Relvas sabe o que lhe convém!
O Relvas não tem pudor!
O Relvas é feio!
O Relvas tem na cara aquilo que é!
O Relvas é um medíocre!
O Relvas é indecente de tanta mediocridade!
Corram com o Relvas! PIM!

O Relvas é um videirinho!
O Relvas sabe tratar da vidinha!

O Relvas é estiloso!
O Relvas não tem estilo!
O Relvas é piroso!
O Relvas é o Relvas
 Corte-se o Relvas! PAM!

O Relvas é toda uma família de clonados:
Relvas Jardim e Jardim
Relvas Silva,
Relvas Loureiro,
Relvas Lima,
Relvas Pinheiro,
Relvas Oliveira!
Que floresta!
Mas há mais destas ervas especiais
São Relvas degenerados e outros que tais:
O Relvas Sócrates & companhia
O Relvas e Relvas dos BPN’s
E quanto Relvas por aí ande neste quintal!
O Relvas é plural!
O Relvas não é um há muitos!
O Relvas é o Relvas…
O Relvas afinal são Relvas!!!
Basta de Relvas! PIM! PAM! PUM!


adaptação do Manifesto Anti-Dantas, de Almada Negreiros.
Antónia Vasconcelos