quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
Homens
Deve o cidadão desistir da sua consciência, ainda que por um
instante ou em último caso, e dobrar-se ao legislador? Por que razão estará
então cada homem dotado de uma consciência? Na minha opinião devemos ser em
primeiro lugar homens, e só depois súbditos.
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Humanidade
«Quando um chinês ou um africano choram, essa lágrima é
sempre a mesma, não é antropológica ou sociológica, não tem lá dentro um certo
tipo de cultura, religião ou costume, não tem nada, excepto a humanidade que
todos partilhamos.»
Antonio Tabucchi
O carácter racional da fé na criação
1. O carácter racional da fé na criação
Esta compreensão
tem de ser aprofundada ao longo de duas linhas de pensamento. A primeira coisa
que temos de considerar é o "isso" da criação. Esse "isso"
exige uma razão; ela aponta para o poder que estava lá no início e que pôde
dizer: "Faça-se...". No século XIX isto era visto de outra maneira.
As ciências naturais estavam profundamente influenciadas por duas grandes
teorias: a da conservação da matéria e a da conservação da energia. Por
conseguinte, o universo parecia ser um cosmos eterno, governado pelas imutáveis
leis da natureza, dependente apenas de si mesmo e não necessitando de nada que
lhe fosse exterior. Estava ali como um todo e por isso Laplace pôde dizer:
"Já não preciso da hipótese de Deus". Entretanto, foram feitas novas
descobertas. A teoria da entropia postula que a energia que é utilizada numa
determinada área já não poderá ser recuperada. Isto significa que o universo
está sujeito tanto à mudança como à destruição. O carácter temporal está
inscrito nele. Depois disto, veio a descoberta de que a matéria se pode
converter em energia, o que alterou substancialmente as duas teorias da
conservação. Seguiu-se a teoria da relatividade, entre diversas outras que
mostraram que o universo está de facto marcado pela temporalidade, uma
temporalidade que nos fala de um início e de um termo, e da passagem de um
princípio para um fim. Mesmo que fosse realmente impossível medir o tempo,
poder-se-ia ainda assim compreender, através da obscuridade de biliões de anos,
pela consciência da temporalidade, o que a Bíblia designa por princípio - o
princípio que aponta para Aquele que teve o poder de dar origem ao ser e de
dizer "Faça-se...", e assim aconteceu.
Uma segunda
consideração vai além do mero "isso" do ser. Ela tem a ver com o
desígnio do universo, o modelo que foi usado na sua criação. Daquele
"faça-se" não resultou a criação de uma qualquer amálgama casual.
Quanto mais sabemos acerca do universo, mais profundamente nos sentimos impressionados
por uma Razão cujos métodos só podemos contemplar com assombro. Ao
aprofundá-los, podemos entender de uma maneira nova a Inteligência criadora à
qual devemos a nossa própria razão. Albert Einstein afirmou que nas leis da
natureza se revela uma Razão superior" tal que tudo o que de significativo
emergiu da razão e da concepção humanas é, em comparação com ela, o mais pobre
reflexo". No infinitamente grande, no mundo dos corpos celestes, vemos
revelada uma poderosa Razão que sustenta o universo. E estamos a penetrar cada
vez mais no infinitamente pequeno, na célula e nas unidades primordiais da
vida. Aí também descobrimos a Razão que nos surpreende, de tal modo que devemos
dizer com São Boaventura: "Quem não vê aqui é cego. Quem não ouve aqui é
surdo. E quem aqui não começa a adorar e a louvar a inteligência criadora é
mudo." Jacques Monod, que rejeita toda a fé em Deus por ser não-científica
e pensa que o mundo teve a sua origem numa interacção entre o acaso e a
necessidade, afirma, na mesma obra em que procura apresentar e justificar
sumariamente a sua perspectiva acerca do mundo que, depois de ouvir as suas
conferências que foram posteriormente publicadas em livro, François Mauriac
terá afirmado: "Aquilo de que este professor nos quer convencer é muito
mais inacreditável do que aquilo em que se esperava que nós, simples cristãos,
alguma vez acreditássemos". Monod não nega isto. De acordo com a sua tese,
todo o conjunto da natureza resultou de erros e dissonâncias. E não pode fazer
mais do que dizer a si mesmo que uma tal concepção é absurda. No entanto,
segundo ele, o método científico não permite que seja formulada qualquer
questão para a qual Deus seja a resposta. A única coisa que podemos dizer é que
um tal método é patético. É o próprio Deus que resplandece através da
racionalidade da sua criação. A física, a biologia e as ciências naturais em
geral deram-nos uma nova e inaudita explicação da criação, com novas imagens
grandiosas que nos permitem reconhecer o rosto do Criador, e que nos permitem precisamente
reconhecer, mais uma vez, que no princípio e no fundamento de todo o ser há uma
Inteligência criadora. O universo não é o produto das trevas e da ausência de
razão. Ele emerge da inteligência, da liberdade e da beleza que se identifica
com o amor. Compreender isto dá-nos coragem para continuar a viver, confere-nos
autonomia e faz-nos sentir confortados para assumirmos, nós próprios, a
aventura da vida.
Ratzinger, Joseph.
No Princípio Deus Criou o Céu e a Terra. Cascais: Princípia Editora, 2009, pp
32 - 34.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
" Testamento "
À prostituta mais nova
do bairro mais velho e escuro,
deixo os meus brincos, lavrados
em cristal, límpido e puro...
E àquela virgem esquecida
rapariga sem ternura,
sonhando algures uma lenda,
deixo o meu vestido branco,
o meu vestido de noiva,
todo tecido de renda...
Este meu rosário antigo
ofereço-o àquele amigo
que não acredita em Deus...
E os livros, rosários meus
das contas de outro sofrer,
são para os homens humildes,
que nunca souberam ler.
Quanto aos meus poemas loucos,
esses, que são de dor
sincera e desordenada...
esses, que são de esperança,
desesperada mas firme,
deixo-os a ti, meu amor...
Para que, na paz da hora,
em que a minha alma venha
beijar de longe os teus olhos,
vás por essa noite fora...
com passos feitos de lua,
oferecê-los às crianças
que encontrares em cada rua...
Lara, Alda. Poesia
Africana de Língua Portuguesa
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Subscrever:
Mensagens (Atom)









