sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Não Posso Adiar o Amor
Não Posso Adiar o Amor
Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio
Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
António Ramos Rosa
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
[10:56 | ]
.
Não sei possível vida mais desinteressante
do que esta. Levantar pela manhã sem um único
objectivo, levar o corpo à segunda repartição
de finanças, corrigir impressos a gente ainda
mais desinteressante do que eu. Assim o espero.
De nada vale esperar. Têm filhos, dois cães, um
gato, meis dúzia de cágados a rebolarem-se à vez
no esterco da água. Venho à tardinha para casa.
Poder-se-ia pensar que a tempo de me ser útil.
Mas vejo televisão só para esperar, penso
nas famílias dos cágados, no Tico e no Fofinho
com o pêlo afagado pelas crianças. Ligo a internet,
engato mais uma desesperada e rapidamente no seu
corpo estes pensamentos tão impuros são nada.
Jorge Reis-Sá in " Mulher Moderna ",
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Não sabemos nada
Não sabemos nada.
Nunca saberemos se os enganados
são os sentidos ou os sentimentos,
se viaja o comboio ou a nossa vontade
se as cidades mudam de lugar
ou se todas as casas são a mesma.
Nunca saberemos se quem nos espera
é quem nos deve esperar, nem sequer
quem temos de aguardar no meio de um cais frio.
Não sabemos nada.
Avançamos às cegas e duvidamos
se isto que se parece com a alegria
é só o sinal definitivo
de que nos voltamos a enganar.
Amalia Bautista
.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
" Orgulho "
Pouco ou nada me importa que vós outros
vos choqueis com a forma como eu amo.
Amo a quem amo como entendo e quero amar.
Amo a quem amo por que os nervos tensos
e toda a carne e sangue do meu corpo
impõem e me gritam que assim ame.
E o que se passa aqui, dentro de mim,
somente a mim pertence porque é meu.
Ficai sabendo, pois, que força alguma
pode mudar o que nasceu quando eu nasci
e que, nem sei porquê, aconteceu.
Sabei então, para sempre e de uma vez,
que aí fora, na rua, mandais vós
- mas aqui, dentro de mim, só mando eu.
Guilherme de Melo in " A raiz da pele ",
domingo, 25 de setembro de 2011
"Vivemos como cidadãos e como espécie em permanente estado de emergência, como em qualquer outro estado de sítio, as liberdades individuais devem ser contidas, a privacidade pode ser invadida e a racionalidade pode ser suspensa. Todas estas restrições servem para que não sejam feitas perguntas (...)".
Mia Couto nas Conferências do Estoril
Sermão da montanha
1.
Cho Oyo
Dhaulagiri
Evereste
Gasherbrum II
Gasherbrum I
Lhotse
Kangchenjunga
Sishma Pangma
K 2
Makalu
Broad Peak
Manaslu
Nanga Parbat
Annapurna
2.
Quando chegares ao cimo da montanha
continua a subir
Jorge De Sousa Braga
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Terrorismo
“O terrorismo é um tipo de violência política que visa atingir civis (não combatentes) de forma cruelmente destrutiva, muitas vezes imprevisível. O terrorismo dificilmente constitui uma violência descuidada. Reflete, isso sim, uma estratégia minuciosa que usa uma violência horrorífica para fazer as pessoas sentirem-se fracas e vulneráveis (…). Este medo destrutivo é depois utilizado na promoção de objetivos políticos [ou religiosos] concretos.”
Louis Pojman, Terrorismo, Direitos Humanos e a Apologia do Governo Mundial, tradução de Célia Teixeira, Bizâncio, Lisboa, 2007, pág. 24.
Neste Instante
Neste instante, neste,
Vê como sonhaste
Tudo o que viveste.
A vida é um engaste
De pedra roubada,
Mas nunca o notaste.
Nada deixou nada.
Dormimos a vida.
Nesta madrugada.
Nesta hora escolhida,
Tua alma, em teu quarto,
Virgem e esvaída,
Faz seu próprio parto.
Alexei Bueno
Vê como sonhaste
Tudo o que viveste.
A vida é um engaste
De pedra roubada,
Mas nunca o notaste.
Nada deixou nada.
Dormimos a vida.
Nesta madrugada.
Nesta hora escolhida,
Tua alma, em teu quarto,
Virgem e esvaída,
Faz seu próprio parto.
Alexei Bueno
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
“Sê tolerante, porque não tens a certeza de nada.”
Fernando Pessoa, Bernardo Soares - Livro do Desassossego.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
[DEPOIS HÁ UNS TIPOS SIMPÁTICOS]
Depois há uns tipos simpáticos
que se põem assim como que de lado,
hieroglificamente a assistir
ao espectáculo do espectáculo
dos sacrifícios, e bolsam com a bolsa
cheia de conjecturas e trans-
versalidades para a benemerência
do raquítico pensamento nacional.
Paulo Da Costa Domingos
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