terça-feira, 27 de setembro de 2011

Não sabemos nada




Não sabemos nada.


Nunca saberemos se os enganados


são os sentidos ou os sentimentos,


se viaja o comboio ou a nossa vontade


se as cidades mudam de lugar


ou se todas as casas são a mesma.


Nunca saberemos se quem nos espera


é quem nos deve esperar, nem sequer


quem temos de aguardar no meio de um cais frio.


Não sabemos nada.


Avançamos às cegas e duvidamos


se isto que se parece com a alegria


é só o sinal definitivo


de que nos voltamos a enganar.



Amalia Bautista
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