quinta-feira, 28 de julho de 2011

Tentei de tudo



Tentei de tudo
E não consigo
Descalcei-me no rio
E galguei socalcos

Subi montanhas
Desci ao inferno
Escondi-me nas sombras
E aterrei no xisto em migalhas

Tentei de tudo
Fiz peito ao vento
Atirei pedras às estrelas
E nas nuvens adormeci

Tentei de tudo
Mas o meu corpo de barco enferrujado
Teima em ancorar-se na esquina da rua
À espera que uma alma bondosa de sucateiro

O venha desmantelar…
Tentei de tudo
Senhores vejam só
Até rastejar pelo chão fui capaz

E afinal não adianta tentar
Não vale a pena lutar
Tentei de tudo
E para quê?

Escreves bem, dizem alguns…
És inteligente, dizem outras...
Aos primeiros que metam a escrita cu acima
E às segundas que introduzam a inteligência na vagina

Se não és filho de pai rico
Se não lambes botas
Ou se não tens cartão do PS ou PSD
Estás completamente fodido…

E acredita
A cultura é uma merda que não serve para nada
O homem quer-se inculto
A cuspir no chão e a dizer palavrão…
Luís Fontinha 

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