Março voltou,
esta ácida loucura de pássaros
está outra vez à nossa porta,
o ar de vidro vai direito ao coração.
Também elas cantam, as montanhas:
somente nenhum de nós
as ouve, distraídos
com o monótono silabar do vento
ou doutros peregrinos.
Já sabeis como temos ainda restos
de pudor,
e pelo mundo uma enorme, enorme indiferença.
esta ácida loucura de pássaros
está outra vez à nossa porta,
o ar de vidro vai direito ao coração.
Também elas cantam, as montanhas:
somente nenhum de nós
as ouve, distraídos
com o monótono silabar do vento
ou doutros peregrinos.
Já sabeis como temos ainda restos
de pudor,
e pelo mundo uma enorme, enorme indiferença.
Eugénio de Andrade, Branco no branco (1984)

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