sexta-feira, 4 de março de 2011

Março voltou



Março voltou,
esta ácida loucura de pássaros
está outra vez à nossa porta,
o ar de vidro vai direito ao coração.

Também elas cantam, as montanhas:
somente nenhum de nós
as ouve, distraídos

com o monótono silabar do vento
ou doutros peregrinos.
Já sabeis como temos ainda restos
de pudor,

e pelo mundo
uma enorme, enorme indiferença.
 

Eugénio de Andrade, Branco no branco (1984)

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